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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Variações de um Rebelde #22 Em busca da Paz...


Não existe coisa mais triste que não ter Paz. Um sítio onde puder sentar e apreciar a pela perna e cabelos exóticos que cobrem a calçada num final de tarde onde o sol nos goza e nos conforma.
Puder amar e ser sonhador...Sim ser sonhador e transfigurar o real. Tenho sede da minha loucura de viajar, ensinar, e contar tempos partidos ao som das belas teclas pretas e brancas a riscarem-me o sorriso de Jazz. As vibrações rezam ao meu ouvido um novo segredo...Dizem-me que vou ter de viver com isto...viver com a desconfiança do dar a mão. O viver para Viver e Dar...
Os olhos dos homens que me olham de lado tornam-se tão pesados que por vezes tenho receio...Agradeço àqueles arrepios que por vezes vêm-me à flor da pele e me fazem rir e seguir sem medos. Poder sonhar acordado e assobiar como uma andorinha é uma dádiva que agradeço todos os dias...
Esquilo num canto de uma árvore à espera de uma simples bolota fresca e água pura...
Borboleta no ombro e Júpiter a gritar sobre a minha cabeça...
Quero ser alguém para dar a mão sem me olharem de lado e julgarem as minhas acções...
Quem me dera ser Sol e raiar todos os dias...
Mas quando vem a Bossa...diz-me que a vida é mesmo assim, com um sabor curto e pequeno de uma laranjada bebida pela palhinha rota...
Não queria nunca chorar de tristeza, pois isso mata-me um pouco todos os dias....
Mas tenho de sofrer e chorar...
Tenho que querer...
Tenho que te perder...
Tem que ser tudo isto triste? Não sei mas que nos dias de chuva e cinzentos aqueles cabelos loiros com nozes e iogurte me fazem babar lá isso fazem...
A minha alma não descansa nem faz nem desfaz...
Sofro com uma cruz cheia de farpas e bem pesada nas minhas costas...
Conformo-me apenas com umas mãos calejadas e sorrisos de crianças e pessoas, que me alimentam o ego e mexem comigo como o balançar sincopada do Bémbé.
***

Lá vem a dor de cabeça e a tristeza outra vez, com a companhia de uma nuvem cinzenta para me embater na cabeça. 
Sou sim sonhador, muito...
Choro...
Rezo...
Apaziguo...
Quero...
Viajo...
Sofro...
Tenho que querer tudo, para puder dar o valor ao nada que não quero....
Estranho não é?
Tenho tantos amores que é difícil dar atenção a todos, e esses amores não sabem disso...e espero que não leiam as minhas palavras de desabafo..
Fui tantas vezes morrer àquelas imagens e letras, cadernos, praias e caminhos...lembrar os meus velhos tempos de garoto insaciável por ver e conhecer...mas sim muito mais tocar....
Hoje quero-te e sofro contigo...quando me tocas e eu te toco...
Hoje, ontem e a manhã vou sofrer por dar a mão e ser mal interpretado...
Hoje vou ser diferente e virar as costas ao Mundo!? 
Mas quando olho sinto-me cobarde...Pois Júpiter é bem mais tempestoso e maior...Não tem água nem ar...
Ando numa corrida invejável e cansativa em busca de justiça...de saco e vara na mão
Quero viver e dar....não te quero a ti nem a tua ajuda...
Mas antes disso deixa-me morrer um pouco até amanha na minha paz de espírito que hoje não me deixaram ter....
A Gravidade hoje foi tanta que andava de queixo baixo e bem de marreco...O céu molhou-me de forma diferente e nem os ecos dos overdubs me animaram!
Quero Viver, sim? Não me amarrem nem me levem para a ilha que todos têm medo, pois lá o tempo passa mais rápido....
Não quero ir nem hoje nem amanhã nem nunca...quero ficar aqui a ser atraído pelas pernas da Lua e pelo seu olhar que me faz de 15 em 15 dias....um olhar cheio e atraente que me faz cometer as minhas pequenas traições...
A viajem não para e o tempo esgota-se...
Quero amanhã morrer num sítio bem isolado, apenas com o mar e o meu jasmim ao lado, na sua barriga..e com as mão dela na minha cabeça a enrolar-me o cabelo.
Hoje estou tão cansado que até as raízes que tenho agarradas no cabelo me pesam...
Hoje queria agarrar num escadote e subir ao sol e sentar-me bem aconchegado, pois o meu quarto é muito frio e não tenho cobertores suficientes para me aquecer...
Sim subir ao Sol e nunca mais olhar para este mundo...
Um Mundo cheio de tesouros que caem sempre em mãos erradas...
E tu? ela e ele? Eu e nós?
Os vales são longe mas chego lá...vou sair daqui....
***
Não existe coisa mais triste que não ter Paz...
Não existe coisa mais triste que não ter Paz...
Não existe coisa mais triste que não ter Paz...
Não existe coisa mais triste que não ter Paz...
Não existe coisa mais triste que não ter Paz....
La la la la la la la la la la la la.....


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Variações de um Rebelde #21

"Dentro deste campo, é reconhecida a invasão do elemento. Falando a mesma coisa em diferentes ventos...Vem de Norte, Sul, Este e Oeste...O cereal, choca com o aço, assim como o papel choca com a madeira. Todos eles constroiem os nossos tectos que nos protegem do mais grandioso e templário céu. Ruge e rasga-se em dia e noite todos os dias...Mais e mais...em frente 
Gloria aos céus que nos suportam e nos acolhem de oxigénio.
Grita a conquista da Cultura e do Tempo que corre na ampulheta. Grita o Amor, que corre os sete sóis da China ao Brasil...
Quero sentir esse Teu Amor, tocar nesse Teu amor, respirar esse Teu amor...
No sangue corre a poeira e as pegadas...
Roubaram-me e Invadiram a minha Vila...
Os Impiedosos..."

Wadada 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Variações de um Rebelde #20 Luz sobre a Escuridão

Pois as luzes foram feitas para iluminar e entre elas, os espaços vazios para nós adormecermos....
Luzes cósmicas e retoques de sabedoria...reduzem-nos a Pessoas magnetizadas que nos atraímos uns aos outros em forma de ímanes que não se separam como as nuvens  e o Sol.
Há quem diga reluz, há quem diga que nunca seduz...
Há quem diga que sente,, há quem diga que Ela mente...
Há quem nunca a agarrou, há mesmo que já lhe tocou...
Quem lhe tocou não ficou cá para contar...
Quem a vê, faz como eu...
Escreve até a luz nunca mais acabar...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Variações de um Rebelde #19

Um levantar calmo e bem leve. O corpo emite energia, uma reza e acorda com um espreguiçar e uma explosão de sensação de mais um dia. O sangue começa a passar entre os meus capilares em velocidade furiosa e o coração toma o seu batimento normal: batimento seguro e calmo.
Os sons começam a entrar-me pelos ouvidos e fazendo dar à minha visão as várias cores dos vários objectos que me rodeiam.
As janelas dizem-me que chove, o silêncio diz-me para fugir para a rua, o corpo balança, a minha cabeça não pensa. Age logo...
Na rua chove e as janelas não mentem as suas lágrimas. No céu nu e cru um olhar torcido, como se nada quisesse com a sua Terra.
Onde a multidão andava, sentia-me distante. Apenas os meus pés flutuavam sobre a nossa linda calçada portuguesa. Observava o cão rufia e abandonado a correr atrás do velho gato esperto e ágil. 
Onde o barulho abundava, estava eu pleno e sereno, completamente incessível. Apenas as pequenas sinfonias dos pequenos frutos de sorrisos na cara, e as velhas rolas que já estas paradas conhecem à muito, é que sussurravam nas minhas orelhas. 
Insaciável por algo, sem saber o que, continuo a andar...
A invasão do sentimento de querer tudo, sem saber como, conquista-me os nervos, e a minha cara facilmente fica com um contorno de interrogado.
Parques, ruas, praias, estradas...
Dia e Noite...
Peço autorização para entrar nestes locais...
Nada me respondem, apenas sopram entre os meus dedos....
Dentro destes locais a «s minhas mãos tornam-se húmidas e trémulas de tanta energia...
Aí sim, sou invadido e deixo-me invadir pelos meus pensamentos, palavras, poesia, cores, paisagens e sussurros....
Espaços como estes dão -me asas para lançar fogo a velas e incensos..
O meu sangue fervilha, ri-se e  palpita todos os dias.
Sinto que os delays espreitam os lugares vazios da minha cabeça, à procura de espaço para poderem ecoar e fazerem do meu coração um metrónomo. O vento sopra-me todos os dias para um vento que dê para velejar, um vento humilde e próspero para ir à bolina de mares nunca antes conquistados.
Sou um eterno apaixonado por letras e palavras, frases e construções alfabéticas que fazem os povos ligarem os seus sonhos e os seus portos de abrigo.
Colares, pulseiras, conchas, cores, terra
os meus apetrechos...
Sou apaixonado por todos aqueles que um dia me fizeram olhar para eles e lagrimar. Todos aqueles cuja sua mensagem me despedaçou e me fez acordar com outro estado de espírito e me alimentaram com repletas sinfonias de Viagens.
As castas que levo no meu bolso serão um dia para semearem quando estiverem prontas.
As cores Verde, Amarelo e Vermelho as minhas combinações de guerra.
O Sol e a Lua, os dois grandes senhores dos Céus a quem eu falo e penso tantas vezes e tantos dias, e que lhes peço iluminação nos caminhos escuros, calor quando está frio..
Metal, papel, Aço e Madeira...
Melodias e tempos são as minhas equações que tanto tento desmistificar....são as minhas não Utopias que tanto tento alcançar...
Na vida tento dar o meu máximo de Amor às pessoas mesmo sendo mal entendido. Dar abraços e segurança...dar sem receber.
"Viver e Dar"
Perdoar, ao meu inimigo...e amá-lo como o meu familiar....
Socorrer so que mais precisam, mesmo que tenha que deixar os que mais amo para trás. é Uma Natureza ingrata que tenho vindo a descobrir, é uma Natureza que me deixa dentro de um barco sem âncora, logo nunca posso parar.
***
A chuva no solo quente arrefece e causa fumaça. Esta entra tua janela e diz te para não ires. O chão vai queimar. 
Vou sim, descalço e sentir o que os meus antepassados sentiram na pele, pois só assim poderei falar e ser alguém e descobrir o bom e o mau.
***
Vejo os pilares das ruas e dos edifícios como anjos que nos observam e nos contemplam como se fossemos Gladiadores. Lutando e comendo-nos uns aos outros como abutres. 
Entre Bestas e Reis...
Entre Víboras e Rainhas...
Entre o qeu é e não é tenho a certeza que o passado já não posso mudar e o amanhã nunca saberei.
Dos meus fortes e longos braços sairá sempre Paz...
Falamos a mesma língua em diferentes modos...
***
Destas ruas me despeço, com novas sinfonias e energias na alma...

"Hoje já passou, mas se amanhã não acordar, ficará aqui assente que percorri os caminhos certos e amei o meu inimigo como todos os outros seres...ficará aqui assente que o Amor é a Rebeldia por a qual é tento navegar"

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Variações de um Rebelde #18

Todos aqueles sabores da Vida, coisas subtis e simples como o simples respirar e o simples verter dióxido de carbono sobre toda a areia fina. O sabor do formigueiro do corpo quando estamos em repleto sofrimento. Sim, o sabor do arrepio e da procura da formula que à milhares de anos procuramos, a fórmula do porquê, a formula da questão.
O sabor do assobio, de nos deixarmos ir à subtileza de uma porta e debruçarmos o dedo sobre uma campainha, a porta a abrir-se e estenderem-se umas mãos e um sorriso para nos auxiliar. O sabor do suor a escorrer-me nas costas enquanto risco a atmosfera de ar meu. Não tenho medo, nunca, nunca....
Nunca seria loucura ir atrás de algo que nunca tive, ir atrás de sons, cores, pessoas, palavras, folhas, ondas, peles, terras, ir atrás de sofrimento e peso dum peso.
Correr atrás do quente pois aqui está frio, as minhas mãos húmidas e fracas.
Na rua vagueio com o meu passo ligeiro e vejo a minha irmã ao fundo da rua, brincando com a sua travessura...vejo o senhor sentado ao frio, por volta das 23:46, no canto da escadaria à espera da sua morte que nunca mais lhe bate à porta...a minha querida e amada mãe de que mais orgulho tenho e mais tenho, a chegar a casa cansada e derrubada do duro trabalho que tem, para arcar com dois filhos onde o pai nunca esteve perto, mas que muito nos ama.
As fotografias mudam e as molduras mantêm-se as mesmas...
Repleto de doenças e ruindade...esta terra seca e que muda de cor todos os dias...
Nas veias corre-me sangue... mas por vezes....
A raiva e a fúria descontrolam-me o olhar e os movimentos...
a minha cabeça...
tudo passa a strobos e em flashes tudo é pedra e tudo eu destruo-o...
Apetece-me cuspir em cima de tudo e tirar o tapete debaixo da porta e sacudir as poeiras para cima do chão e  pisar como se não existi-se amanhã.
***
Não consigo dormir, tudo é pesado e tudo me chama a atenção. O descontrolo é tanto que o corpo não para de me consumir a água que tenho, o coração bate e rebate, correndo atrás da quietude.
Na cabeça...

Cores, imagens, sonhos, tristezas, medos, arrepios...
***
Nos meus lábios:
Meu Deus...se estás aí dá-me só uma pequena luz...o descontrolo anda me a subir à essência e a vontade de querer devastar começa a ser a minha sede. Quero água da chuva para beber, e maravilhas para descobrir. No meu mundo não há a tristeza que encontro quando venho cá abaixo à Terra. No meu mundo a as sementes são o meu sabor e o meu alimento, e tu ensinas-me a criar o gado e a seu a tua ovelha. Aqui neste Mundo querem quebrar as correntes que tenho. As correntes da liberdade. Querem-me libertar para a ruindade e para a ganancia"
Só eu sei, e tenho a certeza que as minhas pegadas aqui vão ser curtas. Mas a Natureza do Homem perante a Natureza é assim...irá sempre contra Ela.
Um pássaro vem a esvoaçar, o Homem vai aniquilá-lo.
Um Homem cai no chão , ninguém o vamos apanhar...
A criança quer falar, o Homem nós vamos lhe bater.
***
Sagradas paredes que seguram o Mundo, paredes negras e profundas onde o infinito procura encostar-se...As estáveis órbitas que nos vão segurando, os magnetismos que nos vão orientando...a tristeza que vão criando ao longo do chão onde foram enterrados Homens que a Vida deram por nós...
O meu sabor pela loucura, fervilha e estremece-me como uma pedra caída num poço. O verbo querer é o verbo mais dito na minha cabeça, com respeito e equilíbrio...
Todos os sabores que me correm nas veias, são sementes que me corroem...Sementes...
 

sábado, 30 de outubro de 2010

A ti Sandra...

Caros leitores quero fazer o meu 200 post dedicado a uma pessoa...
Desde já quero agradecer a todos os leitores por terem mantido de pé este pavilhão
Desde já a todos Obrigado
***
Foram dias e parece anos. A flor cresceu no meu pequeno pátio...fui regando ...umas vezes melhor outras vezes pior. Foram havendo trovoadas e nunca deixaram de existir como é óbvio. É de bom grado que agradeço-te por tudo o que fizeste por mim até agora. Aquele teu toque que sempre nos envolveu...aquele toque que nunca nos foi indiferente. Os nossos olhares ao som das mornas Cabo Verdianas, os nossos passeios a fazer caretas a toda gente, as tuas quedas com os atacadores desatados no meio da rua, os nossos gritos no meio da autoestrada em plena Lisboa, as nossas corridas que mais parecem passeios de idosos...
Os meus segredos e o teu carinho a ouvi-los.

De carta apenas te escrevo...

"Se morrer hoje quero que saibas que és a minha melhor amiga o meu porto de abrigo e a pessoa mais especial da minha vida. Se eu fechar os olhos hoje, levo um cabelo teu envolvido comigo e nos meus longos e enrolados cabelos, pois vai servir de almofada com o teu cheiro"
Para ti Sandra, da pessoa que se rendeu à tua pessoa e ás tuas duas cores... 
Iúri Oliveira

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Variações de um Rebelde #17


"Quem consegue aquilo que deseja, conseguirá erguer montanhas e mares, mover Luas e Sóis.
Quem consegue aquilo que deseja foi porque a cruz carregou, céus  trepou e muito caiu e muito se levantou.
A matemática de Deus continua com o seu mistério, mas Seus resultados continuam Perfeitos.
A Ira, a Misericórdia, a Vinha, a Pureza, os Montes, as Cores, o Fogo, a Flor, os Muros, Nós.
Quem consegue aquilo que deseja é porque no Livro da Vida assim o citou"
in, "Variações de um Rebelde  #17" por Iúri Oliveira

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Variações de um Rebelde #16 Eu, meu rumo...

Hoje a variação soprou num rumo diferente...
...Rumo a mim
Eu, Iúri Oliveira, fruto de mistura entre um negro fugitivo e uma branca camponesa, fruto de União e Esperança. Há 21 anos que piso o Perfeito jardim Mundo que muitas maravilhas me deu e me dá.
Munido de Vida e de poucos sorrisos, o meu livrinho está aberto aqueles que merecem cá entrar. Vagueio por Reinos e Terras onde muita bondade e maldade de misturam como aguarelas numa telas. O Mundo faz parte da minha filosofia e o espiritualismo torna-se a minha concepção e visão para o Universo.
...Deus é a fachada e os pilares de tudo aquilo que eu sou e constru-o
Sou egoísta ao ponto de querer ajudar tudo e todos os que precisam, e a minha fraqueza de ter de aceitar aquilo que não posso mudar, torna-se cada vez mais pesada na minha cabeça. Sou um observador ao ponto de até as águas dos rios correrem me fazerem confusão. Tudo para mim da vida são orgasmos e misturas de sabores que combinados são os meus sonhos. Sou um sr maravilhosamente feio e cheio de tudo aquilo que me rodeia.
Tive um percurso de vida cheio de esperança e emoções, cheio de histórias e decisões de caminhos que hoje só cruzes que eu tenho que arcar e dar valor assim como todas as outras coisas e pessoas que se cruzam na minha Vida.

Nas margens do rio, o arroz...
No pescoço dela, um terço...
Na minha cara, rugas e sinais...
No céu, uma nuvem...
No Livro, um traçado a carvão....
Nas minhas mãos, a simplicidade...
No cabelo dela, uma almofada...
No meu sonho, o esquecimento...
Na Terra, as muralhas e fronteiras...
No meu Jardim, um jasmim e um Bonsai...
No horizonte, nada...
No nevoeiro, a esperança...
Na Fantasia, Eu...


Vejo o Mundo por uma fechadura de uma porta de uma sala de estar onde se encontra o meu palco e o meu eterno descanso. Sala onde a relva é regada com as minhas lágrimas e iluminada com o meu pequeno e pobre coração.
Sou arrogante e frio para mim mesmo. Sou desorganizado ao ponto de até na minha escrita me perder e da minha cabeça se dissipar no infinito.

A minha raiva, emoção e fúria, chega a ser tão vincada  e monstruosa, que me dá vontade de chorar e desaparecer.
Sou um paradoxo constante em tudo o que digo e faço.
Os pensamentos e palavras que atiro pela janela fora, embatem no chão como verdadeiras pedras de calçada e enchem o chão de rubis e pedras de mármore que fazem do alcatrão solitário e escuro, um espaço de brilho e cegueira, onde nada se vê, tudo se sente.

A ampulheta não pára...mas comigo parou...
Hoje sou nada, mas mais que nada eu fui...
Hoje estou perdido, espero que amanhã não me encontrem...
Hoje sorriu para me dar força e amanha choro até haver um diluvio...
Hoje o Universo divide-se e viaja em paralelo...Fico sem saber o que pensar...
Quanto mais dou, menos querem receber
Quanto mais respiro, mais me querem sufocar
***
Vivo numa Sociedade que me observa e me oprime todos os dias. Sociedade que me olha e me dá os troncos das suas vinhas cheias de ira e inveja. Uma democracia onde fujo das suas garras e correntes; Fugi das tentativas de misturas do petróleo com a água e que depois nos dão de beber nas suas bicas servidas por ladrões de fato e gravata.
O Povo viaja nas igrejas e altares implorando Misericórdia...
"Como podem eles pedir piedade, quando são eles próprios a serem Impiedosos"
Ambicioso em quase tudo, determinado em tudo. Tenho os meus medos e os meus receios do que os ventos e marés, possam fazer ao meu jardim.
Sou um eterno insatisfeito mas sinto sempre tudo a conspirar comigo.
Energias, Musica, Alegrias, Ares...
Durante a minha curta e jovem vida fui julgado bastantes vezes por fazer o "suposto" bem, julgado por agir correctamente, julgado por dar sem receber, julgado por ajudar a pessoa quando a pessoa precisa, julgado por não dar quando a pessoa não precisa, julgado por falar a verdade e julgado por não falar a mentira.
Tudo isto me faz pensar na grandiosa obra do Mundo criada pelas mãos de Deus...
...Jerusálem
Questionei-me sobre fazer o bem ou o mal, sobre o que está correcto ou incorrecto.
Não ando nestes campos para dar graças aos bens materiais, mas sim para dar graças Àquele que tudo perfeito criou e da relva faz o pão para nos alimentar...O Fiel Pastor
A minha cabeça...uma parede de cortes e recortes de bons e maus momentos, onde tem uma janela para contemplar o Sol do dia e a Lua da noite...
Tenho imagens, notas musicais, acordes, letras, palavras sensações, nuvens, Músicas, sabores, livros, desejos, incensos, chuva, Amor, Viagens, Pessoas, Lábios, toques, segredos espaços vazios....
O Bom da minha Vida é apenas eu ser mais um, mais um num barco à vela com um baú às costas e uma bússola que me orienta e me dá as coordenadas para traçar a minha rota e deixar os marcos da minha presença.
Orientação Perfeita

Não sei o que sou, não consigo mais..mas sei para onde vou e o que quero. Tenho a força de mil-homens, choro até criar oceanos, rujo até me faltarem as forças. A minha fé torna-se tão viva e reluzente que fico ecoando a minha voz. Largarei fogo sobre impiedosos, tirarei a minha camisa aos que nada os aquece. Irei olhar nos olhos frente a frente àqueles que durante anos me fizeram de cego. A dor jamais sentirei...
Venham Mil-Homens, caminhem comigo para onde as ondas se espraiam.
Este sou eu, o eterno solitário que magoará sempre os seus para um bem melhor. O Eterno infeliz e curvado. No meu coração há aquela sombra que me comanda. 
Este sou eu ...
O Rebelde...
"Falo daquilo que observo. O que não observo são sentimentos como as minhas respirações. Respirações que rolam."

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Variações de um Rebelde #15

Em pequenas controvérsias da vida e do meu pequeno e ventoso coração, tudo aquilo que  é real torna-se Fantasia.
Na minha cabeça forma-se ilhéus e tornados de pensamentos. Tudo é confuso e tudo é claro como o céu.
Por vezes as janelas abrem e tudo em minha casa voa lá para fora.
"Tudo fica no Ar"

As sinfonias de reflexos levam-me à loucura de correr e pairar no "nada".
A areia que me passa nas mãos torna-se fina como água. Somos todos matéria triste com espírito e o "tic-tac" de um relógio. A vinte e um anos eu era talvez um pedaço de granito, hoje sou carne, ossos, pele e cabelo, amanha talvez seja relva.
Não é para qualquer um viver em sintonia com tudo.Viver alinhado como um comboio...
"A Natureza"
Reina num trono um Rei sem coroa cuja sua ira move e cria as Bestas da Terra, as Aves do Céu e os Peixes do Mar.
"Seres"
A Terra de Ninguém onde tudo o que queremos ser é o Tudo e esquecemo-nos que é no Tudo que caminhamos.
***
Observo todos os dias na esperança do querer e não querer, nada é finito e nada é por mero acaso.
"O Castanho do âmbar, o tornado da borboleta e os canteiros de água"

***
Ás vezes quero falar de tanto e tanta coisa...quero saber e conhecer tudo de tantas áreas...quero tanto...que acabo por sair pela minha janela e perder-me no vazio da minha ignorância.
Sim... Aquele vazio que me dá a Sabedoria de poder acalmar contemplar tudo aquilo que NÃO posso mudar
***
Todas as energias que me rondam...Sim quero-as a todas. Quero ser um pedaço e Tu a outra metade. Quero que sejamos UM.
Eu
Sinto que ainda ando à procura do meu espaço. Aprendo as minhas "Origens" para encontrar o meu caminho para o meu ninho.
O Respirar por vezes já me começa a custar, mas até fazer tudo aquilo que eu quero, ainda tenho muita pedra para saltar.
Ao caminhar, a areia fica cada vez mais fina e fofa...
Pergunto me:
"Quando é que o Sol me toca e a Lua dá cor à noite ao meu lado?!"
Quando é que a Fantasia passa à Realidade?
O Frio já incomoda o meu bem estar na areia. Torna-se mais complicado para escrever com o meu velho lápis nas minhas soltas páginas que me dizem muito.
"O Sol veio e a inspiração do pequeno Rebelde voou..."