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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Folhas Soltas #4

"A falta de Honestidade e Humildade é a maior ancora que o Homem pode ter"

by Iúri Oliveira

sábado, 8 de janeiro de 2011

Crónicas de um Viajado #7

Hoje vai chover....
Diz a velha ilha que se encontra visível na imensidão azul.
Desde a velha senhora sentada à espera de morrer no banco da praia, até ao casal apaixonado saboreando a língua um do outro, a amargura e a doçura espalha-se...
Correr que nem um desalmado para que o Mundo não me caía em cima. Feliz sou pois é no Mundo que eu rebolo e bebo a sua essência.
Hoje vai chover....
Conquista de Areias do Deserto áridas e Virgens... A minha viagem submete-se a cheiros e a sabores de agridoce. Sabores como A Fúria e a Honestidade. Fogo e a Água. Terramoto e Humidade. Canteiros de Água e Pó...Sede e Satisfação....

Hoje Pardo, amanhã Morto...Outrora fui Fogo e Jamais serei Rei...
Hoje vai chover...
Os paradoxos dos grandes Filósofos, as conquistas de Vasco da Gama e Cristóvão Colombo, os campos semeados de D. Dinis, os Salmos cantados em todo o Mundo, as trovoadas de África do Sul, as Tempestades no Texas, as mortes em Ruanda, os Deuses da Índia....
As rubricas e escritas dos que jamais souberam escrever, os sons produzidos por aqueles que jamais souberam o que era a notação Musical.  
 As cores de África, Tibete e Indonésia...
Hoje vai chover...

Hoje os castelos caem dos céus como gotas de água.
Cada vez mais sinto os ares a roerem-me a entranhas e a Vida a despedaçar-me cada vez mais. Sim, sinto -me cada vez mais a viver e a pintar os quadros. Quadros estes as minhas pegadas...
Hoje vai chover...
Rio de cada gota como me riu de cada lágrima que largo sobre Terra amarga e seca...Hoje chove...amanhã o chão será a minha pele...

Ahhhhh aiéééé aieéééé....

Folhas Soltas #3

E é o que acontece quando um Furacão e uma pétala se encontram, quando o Mundo se derrete e se divide entre silêncios, quando não há mais nada a fazer....
O olhar torna-se leve e suave...
E a Fúria e o orgasmo se misturam...
O coração bate de forma incontrolável transpirando Vida...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Variações de um Rebelde #29 Manhãs Brilhantes

Só Deus sabe o quanto me esforço.
Há dias que a inspiração não me vem, assim como há dias que Deus grita tão alto ao meu ouvido que das minhas rezas faço pequenas sabedorias aos meus ouvidos.
De manhã rezo ao bom Pastor...
E é nas montanhas situadas a este que a sabedoria brilha como auroras boreais e o tempo despedaça os segundos que perco a olhar para o Sol.
A relva parece pequenos grandes tapetes de seda fresca.
De coroa na cabeça, o Bom pastor diz me para ir para casa, ajudar a família e apreciar juntamente com eles o raiar da manhã.
Dos meus lábios a saliva pede leite e mel para acompanhar.
Só Deus sabe....
o quanto me doí o corpo de levar esta cruz que tanto prezo e gosto.
Só Deus sabe....que neste pequeno coração, cabe lá o Sol da manhã e horas e horas de Amor.
Sentado no topo do Mundo, tudo é sereno e calmo como o voar dos colibris. Tudo é brilhante como o âmbar acabado de sair do coração das árvores. A copa das árvores é verde...e os chão parece barras de ouro puro.
Deus diz-me para não me lembrar do caminho para casa mas sim para seguir o caminho que se abria no meu sonho. No meu cabelo e no meu corpo não sinto frio nem calor, sinto e bebo a sabedoria que me faz mover estes pés feios cheios de calos da longa caminhada. Faz com que a minha alma se levante primeiro que o meu pesado corpo de carne e ossos, para se espreguiçar.
Só Deus sabe...o quanto sou maravilhosamente feio e as suas preces são ouvidas e escritas em actos meus.
Da montanha, os mares a oeste gritam por aqueles que lá a alma deixara, flores, cartas e preces. Nas suas areias nascem pequenos jasmins selvagens...
Anda meu irmão, anda minha irmã...
Estes que estão a dormir...e não querem ir para casa..
Porquê ir para casa, se o Mundo é a Casa...?

Gargalhadas melancólicas do sono saem das gargantas dos meus irmãos.
Hoje não tenho ninguém para sentir o meu Amor e as minhas cruas e quentes mãos, rasgadas por marcas de nascença. Marcas de prosperidade e de um destino de trabalho duro. Disto não temo... 
La em baixo das nuvens ouço os risos das crianças traquinas brincando ao caça.
"A razão de ser Humano é encontrar a peça do puzzle que faz com que o relógio pare e realmente olhemos para as coisas que a nossa Casa Mundo nos dá"

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Variações de um Rebelde #28 6º Sentido

Um moinho. Um espaço onde me inspirei. No solo enrugado e torto, num solo seco e mal semeado nascem blocos de granito com um tecto em cone de telhas de barro cor de laranja.Um grande tronco invadiu e atravessou este tecto e na sua ponta, quatro velas faziam deste moinho um templo do vento, onde o equilibrio e o repouso eram constantes...
Falésias. Escarpas enormes com um declive bastante acentuado, coloridas de malmequeres, caminhos encruzelhados e bastante dificeis de chegar à água. Contudo nada é impossível. O céu pintava as terras molhadas com a água de lama, e construia pequenos rios onde eu esbarrava a todo o momento.
Foi  ao agarrar aquela vela que senti que já andára nestas terras à muito século. Contudo continuava a derreter-me como a cera das velas, lentamente e bem quente...Daquele espaço saiu poesia e um sorriso esboçado ao som das vozes dos irrequietos bichos da madeira que consumiam mais um bocado da porta velha e já consumida. O frio já era algum, mas nada que não se aguenta-se. Foi um raio de luz no meio da escuridão.
Hoje a inspiração varia como os ventos, ora está Norte ora está Sul. Mas aquela imagem do velho pintado a aguarelas continuava a fitar-me o olhar como se me estivesse a ler por dentro.
Reluziu-me na cabeça os momentos felizes que tive sobre tempos de um rapaz meio perdido mas sempre orientado. Rapaz esse que partilhava Amor, ria de qualquer magia enlaçada no ar. Desde um rio à brincadeira do cão da vizinha.
No ar encontro pequenos padrões de tempo que me inspiram e me dão sede de viajar, viajar entre os meus pensamentos que se encontram espalhados no quarto.
Hoje sou aquilo que outrora sempre quis ser, e amanhã sei que o Mundo vai me deitar a língua de fora.
Azul , Verde, Castanho é as vestes do nosso Globo, e eu acredito que com mais harmonia e bons pensamentos o possamos meter mais, sim cada vez mais colorido e fascinante. 
Faço dos sons do Planeta as minhas palavras sábias, saber quando arrancar e ficar. Saber quando me esconder e quando respirar. Saber os perigos e os seus segredos. 
De ser Humano para ser Humano, a linguagem modifica mas eu não gosto de boas maneiras. Não gosto de rir quando a sociedade conspira, não gosto de vaidades, não gosto de boas maneiras nem de colarinhos brancos. Gosto de risos com chá verde e frutos vermelhos. Gosto de uma vela a derreter ao sabor de uma noite fria.
Quando a Virtude do Mundo, que ainda não descobri qual é, conspira aos meus ouvidos dá-me vontade de rir, pois alimenta-me de energia cósmica e faz-me fervilhar por dentro como se fosse rebentar. Hoje sou um vagabundo, silencioso com  olhar  castanho e com melodia variada.
Tenho razões para chorar e sonhar, pois há alguma coisa nesta terra de Gregos e Troianos que me rasga a cara de marfim branco, há uma combinação de tons e padrões de tambores que fazem o meu coração pulsar e saltar de tons ao som de pagodes. Subir nas alturas e grisar o meu corpo até à dor. Encher-me de Amor e amar-te a ti, a ti e a ti também, beber do Mundo o máximo de conhecimento e deitar-me como se nada soubesse, pois o Mundo gira e Tudo se mistura.
De pedra em pedra os gatos ao som da noite escura são pardos. Procuram o seu repouso enquanto perdem mais uma das suas sete vidas.

Vem da Baiha os Macumbeiros com as suas vestes e colares, rezando ao fogo e à Prosperidade. Pedem Felicidade enquanto os seus pés se bronzeiam à cor da fogueira.
Caminho nas pegadas do meu Pai, do vento fresco e do fogo que me arde na garganta, espero pelo devastar do meu corpo em poeiras, que a Terra irá consumir . 
Vivo num sonho e quando morrer acordo noutro lugar.... E na Meditação bebo a Paz...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Variações de um Rebelde #27

É quando todo o Mundo roda e as cores se misturam, quando as águas estremecem contra as rochas das falésias, quando o leão ruge, quando os fogos se cruzam e o frio aumenta...
Tudo fica em silêncio e rezo ao fogo para que não me queime...
Sinto a harmonia que os planetas, luas e Sóis trocam entre si...as suas melodias e os seus suspiros.
Durante vinte e cinco minutos o meu pescoço ganha folgo e resistência para virar a minha cabeça e os meus olhos para o vazio. O vazio a quem eu faço perguntas todos os dias. 
Ontem foi diferente....
Céu estrelado, risonho e sereno...ninguém conspirava contra mim (pensava eu) ...
O silêncio cobriu-me de tal modo que se os meus olhos fossem fogo, teria fustigado tal infinito...
Naquele espaço tão mágico que eu medito, havia uma escultura nascida de betão, azulejo e aço...quando dei por mim tinha um Sol e uma Lua, a fitarem-me o olhar enquanto olhava no céu.
Tal Rei e tal rainha raiando os meus olhos, e eu sem resposta dos céus. Deixaram de ser minutos e foram horas, até o meu pescoço e pernas ardem de dores.
Nem um avião, nem um colibri....
Não houve um vento, nem uma estrela cadente...
O silêncio incomodou-me e Deus não me respondeu...
Na minha cabeça corria perguntas e rodízios...
Rugidos e rumbas abertas....
O espaço ficou assombrado, e com o Rei e a Rainha a olharem para mim parecendo que me iam crucificar. 
Das palmas das mãos às palmas dos pés o sangue ferveu... as lágrimas caíram no chão como se fossem ecos de teclados, o coração aumentou o seu batimento de tal maneira que parecia que tudo ao meu redor era câmara lenta...
***
Foi no Amor e no espaço que estava a minha resposta...e foi o fogo que queimou tal criatura que inveja a Princesa de cabelos loiros...
***
Nestas pedras e azulejos deixei uma carta aos céus...carta de respiração e Paz...carta para separar montanhas e blocos de pedras...carta para parar o rebanho e o Pastor...carta para raiar Sol e e agradecer pelas labaredas e pelo fervilhar dos corações que há em redor do meu Pequeno Mundo...Corações em que me inspiro e encontro a coragem e o cheiro a mel, abacaxi, manga, chocolate, jasmim, Terra e Ar...encontro estes elementos para crescer...e um dia...Sim, quando morrer a missão estará cumprida...e será passada às crianças estes condimentos....e neste espaço...que deixo o meu Pequeno coração...ser levado pela Natureza, pois Dela não temo...
***


"Quem tiver medo do frio, aprenda a dançar com ele, aquele que pensa que possui ter o conhecimento total, cairá na ignorância. Aquele que ousa um dia pedir misericórdia sem a dar ao próximo, será fruto matéria vazia dentro de átomos. O que ficar para trás e levar o carneiro aleijado às costas, será um dia transformado em pó para flores, e nos campos será semeado para grandes campos floridos e arremessados de Amor e Paz. Deus não morre..." 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Variações de um Rebelde #26

Variações de um RebeldeMatam o meu irmão...
Destruindo o meu País....
por nada...Por nada...

Todo o lado as ruínas aumentam e a maldade. As nações continuam a separar as cores e as palavras dos grandes...
Matam e não querem saber da semente semeada.
Ouro e Prata....ópio
As vozes fazem-se ouvir nos quatro cantos do Globo...é no mel das flores e na rebeldia das copas das árvores que a Natureza exprime a sua tristeza.
Rasgam-me o vocabulário todas as intrigas e lutas do Mundo. O cimento e o Petróleo....o Alcool e a Droga...
Quero comer pedra e terra...
A força de Mils Homens....
Do outro lado do mundo, uma menina com cabelso loiros e olhos de lince choram de tristeza e solidão....
***

"Nas ruínas dos Impiedosos quero jardins onde os meus filhos andem ...
Quero vinhas de vozes..
Esperança...
Ar...
Lágrimas de Alegria"

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Variações de um Rebelde #25 Fica no Meu Lugar

Arremessar contra o chão qualquer pensamento é não dar asas a outro voar. Pensar ou Sonhar?
Eis a questão...
Do solo vem a folhagem verde que pisamos no Outono, é sim na Natureza, no seio mais limpo e Verdadeiro deste espaço negro infinito que não conhecemos...É Nela que temos de dar Graças e Louvores pelo ar que respiramos ...
Dias azuis com pitada de cinzento aproximam-se....trazem nudez fria e crua com ele.
São dias entre janelas e passados à janela a ser enganado pelos impulsos dos meus ouvidos. Enganados pelos sons dos pássaros do meu vizinho...
Há dias que estar no silêncio era o que mais me apetecia, e sentir a virtuosa energia a pairar no ar de mãos dadas a mim.
Ver, ouvir, sentir...uma máxima que levo no bolso e tento viver e passá-la. 
Foi um dia, num momento de chá verde com maça e canela que vi algo. As pontas dos dedos fervilharam e abateu-se uma bola quente sobre mim. Acreditar no que ouvia era surreal...era ensurdecedor. Era lindo. Os pássaros pareciam Koras, o som das folhas das árvores pareciam cascas de nozes a cair do céu. Os ventos eram gritos de ansiedade. Era como estar num outro nível. Tudo era-me próximo e quente...a temperatura naqueles escassos segundos atingiu orgasmos e picos inimagináveis. Os gritos na minha cabeça eram como Metrópoles.
***
Da consciência vem o pensamento. Este filtrado dá-nos uma obra de arte. Musica, Dança, Pintura, Palavras, Humildade. É num circuito redondo e recto que circula esta nossa ambição de querer viver. Todos nós vimos da mesma relva, e é na mesma relva que nos vamos transformar. Relva. Ar, terra seca, pó...

Medo de quê?
O Guia está na ponta de um pequeno cordão que arde eternamente derretendo cera sem parar. A estrela que já não existe continuará a raiar no céu. Para quê chorar?
Abraçar a terra virgem dando-lhe o nosso sexo e fazendo-a ouvir...sim...regando-a de boas palavras...
Escrevo tradições e variações que não consigo prever sobre quem vai cair...a minha sede e doença torna-se tão mais forte que eu que os meus olhos vidram. Fecham-se em lágrimas.
É nas pedras de cores torradas que perco a minha imaginação e...

Fujo, sem me faltar as forças....o quente torna-se insoportável...e o caminho cada vez mais difícil... anda...anda...não fiques ai...vais te queimar..trás o fogo, e destrói a água.... trás a terra e sopra contra o vento...mistura banana com canela e come como se não houvesse amanhã...ri comigo...sim Ri quando temos que chorar...deixa-me abraçar-te quando temos qeu nos agredir...deixa-me ser tu e tu seres eu...Escreve quando tens que cantar...Vens? Vamos cair de costas quando temos que nos segurar...sem medos...Grita...Grito...o meu corpo fica de tal maneira fervilhante que nem um Batalhão de Mil homens consegue para ao meu lado...
Abrir os olhos e beber mais uma caneca de chá..mas agora sem açúcar...e ir até ao Equador.
Trazer Plutão e Júpiter comigo...tu, eu , aquele e aquela...caminhar descalços e rebolar nas lindas terras Vermelhas que África um dia me deu...cheirar as cordas dos instrumentos, e saborear a batucada dos tambores.
***
"Quando um dia fechares os olhos e pensares que nunca mais os abres, Acredita...e baixa a cabeça perante aqueles que te observam de cima para baixo. Sorri e escreve sem abrires os olhos, Paz, no chão...sim escrever com a ponta dos dedos...Quando as forças estiverem mesmo no fim e a chaga for bem pesada, agarra-a e faz dela a tua bengala...quando as lágrimas despedaçarem as tuas pestanas e abrires os olhos...diz me o que vês..."
Quando Deus me sussurrou isto ao ouvido... senti-me bem pequeno...pensava que tudo fosse desmoronar sobre as minhas construções de areia.

Então perguntei:

"Meu grandioso Rei...(silêncio) se eu ficar deste tamanho o que vou ser eu?"
O silêncio foi eterno...
Nos meus olhos senti os olhos da minha eterna árvore Polonga que descansa em paz num sitio que nunca me disse. Um olhar cinzento e bem infinito e vazio...parecia que tudo naquele olhar fazia sentido. Na pele das minhas mãos senti uma pedra pomes, peles ásperas e rasgadas da guerra como as do meu eterno Pai...
***



O Sorriso de hiena não é confiado...
Nem no  Sol do Meio dia vai me queimar as dobras do corpo
O fato de Rei não é meu...
Ficar calado jamais...
Leão esfomeado...
O tempo não para...
O vapor urge...
 Malho o ferro enquanto está quente...
Para quer chorar se posso rir?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Variações de um Rebelde #24 Mundo Perfeito

É de firmeza e dureza feita o tecido que me cobre a carcaça.
Algo não me deixa voar nem fugir para o tecto do meu quarto.
Tecto de Sol, estrelas e Lua...
Afinal de contas como subir sem cair, como o pequeno ganha ao mais pequeno?
Variar as melodias e solos no meio de tempos incertos...
Ganhar a luz de inspiração e perfurar até ao sexo das árvores em busca do padrão perfeito... Toco o que sinto, e o que sinto varia de dia para dia...é incerto mas ao mesmo tempo é genuíno...
A minha mão acaba onde a tua guerra começa.
Não é em guerra que quero estar...mas sim quero estar entre dois jardins a contemplar os confins da melanina entre raças e humanidade. Explorar os seus tecidos humanos e os seus limites.
É no mar que me perco mas é na terra que nasço.
Resumo-me a nada quando estou neste tempo, fico em pó quando "ele" pára. Desce Júpiter e Neptuno para regar a sua ira no meu chá verde que bebo como se não houvesse amanhã. É nos confins das palavras que encontro a minha almofada e é nestas palavras que descarrego as minhas insónias. 
***
Quando era (sou) pequeno viajava sem destino sempre pensativo. Voava e rugia.
Reparava no minuto que passava pelos meus olhos ao sabor do vento. 
Hoje Renovo-me pelo futuro que é a Natureza. 
Liberto-me pela energia daqueles olhares apelando à piedade...

Mundo Perfeito
De onde a onde vai a minha liberdade?
Um dia Deus disse me ao ouvido:
"Quando estiveres cansado não te sentes....continua...pois quando chegares à paisagem linda que fiz para ti, vais ver que o que sofreste não foi em vão. A tua cruz acaba onde a Terra Prometida começa"

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Variações de um Rebelde #23 Sotaque de Terra

É nos socalcos da terra castanha, árida e seca que ouço os seu sotaque. Sim, ouço o seu falar e a sua tristeza. Vejo as suas lágrimas em forma de pedras redondas, quadradas, castanhas, vermelhas,, cinzentas....Elas gritam a mesma língua que eu, pedem para eu as amar.
O céu reluz o seu cinzento de Inverno duradouro e frio...das pedras faz estilhaços.
É nos socalcos da terra ainda por escavar que me encosto e leio as suas frases de poesias ao sol poente e nascente, leio as suas frases escritas nas raízes que rasgam o solo e fazem crescer o milho e o centeio.
Na janela do campo ao lado o senhor olha para mim com cara de desconfiado. Olha-me com cara de querer tirar-me desta paisagem para sempre.
***
Encontrei-me neste terreno, onde a língua da terra é a mesma que a minha, mas com uma diferença...

Ela ouve-me mas não me responde
Na minha vida é na terra que trabalho, e é dela que vivo, assim como o peixe da água. A atitude de rumar com a inchada na sua pele é bem visível nas minhas mãos inchadas e feridas. Uma dor que se sente no corpo e reflecte-se no meu olhar. A questão do fruto e da flor é eterno....
O Paradoxo da minha vida é constante...gostar ou não gostar, ver ou não ver, sentir ou não fugir...ir ou fugir.
As migalhas da frágil terra fazem-me ajoelhar sobre elas e gastar o meu pobre tempo que me falta nesta mesma terra a guardar estas mesmas migalhas...e esperar encostado nos socalcos...
Esperar até que o tempo me extermine e me torne parte da Terra que me fala e eu não ouço....